Entendendo a Fisiopatologia da Causa Número 1 de Infarto e AVC
A aterosclerose não é um evento súbito, mas um processo crônico e degenerativo. Ela se caracteriza pelo acúmulo progressivo de lipídios (gordura), elementos inflamatórios e cálcio nas paredes das artérias. O resultado é a formação de placas que reduzem o lúmen vascular e endurecem os vasos, culminando em eventos fatais quando essas placas se rompem ou obstruem o fluxo sanguíneo.
1. Territórios Críticos: Onde a Aterosclerose Ataca
Onde existe uma artéria, existe o risco de aterosclerose. No entanto, três territórios clínicos são os mais impactados:
- Artérias Coronárias (Coração): É a base da angina e do infarto agudo do miocárdio. Continua sendo a principal causa de morte cardiovascular global.
- Artérias Carótidas e Cerebrais: O comprometimento desses vasos é o gatilho para o AVC isquêmico e déficits neurológicos permanentes.
- Artérias Periféricas (Pernas): Resulta na Doença Arterial Periférica, manifestando-se por dor ao caminhar (claudicação), feridas de difícil cicatrização e, em casos graves, risco de amputação.
2. Fatores de Risco e Gênese das Placas
A formação da placa aterosclerótica é acelerada por um conjunto de fatores bem estabelecidos pela ciência:
- Dislipidemia: O colesterol LDL elevado é o principal “combustível” do processo.
- Hipertensão e Diabetes: Causam lesão direta no endotélio (camada interna dos vasos).
- Tabagismo: Um dos agentes mais agressivos para a oxidação das gorduras e inflamação vascular.
- Outros: Sedentarismo, obesidade, histórico familiar e o envelhecimento natural das artérias.
3. Estratégias de Prevenção e Tratamento Clínico
A abordagem da aterosclerose é dividida em dois pilares fundamentais que devem coexistir:
Mudança de Estilo de Vida
A base do tratamento envolve atividade física regular (150–300 min/semana), controle dietético rigoroso, cessação do tabagismo e manejo do estresse e do sono. O sistema vascular responde prontamente à redução do estado inflamatório gerado por esses hábitos.
Terapia Farmacológica
Quando o risco cardiovascular é elevado, a intervenção medicamentosa é indispensável para evitar desfechos fatais:
- Estatinas: Para redução do LDL e estabilização da placa.
- Antiplaquetários (ex: AAS): Em casos selecionados para evitar a formação de trombos.
- Controle Metabólico: Medicações para pressão arterial e controle glicêmico rigoroso.
4. Intervenção Mecânica: Quando o Tratamento Clínico Não Basta
Em cenários onde a obstrução já gera isquemia (falta de sangue) importante, as intervenções cirúrgicas ou percutâneas tornam-se necessárias:
- Coração: Angioplastia com implante de stent ou cirurgia de revascularização (ponte de safena/mamária).
- Cérebro: Limpeza da artéria (endarterectomia) ou stent carotídeo.
- Membros: Angioplastias ou cirurgias vasculares de bypass.
Nota Importante: A intervenção mecânica desobstrui o canal, mas não cura a doença. O tratamento clínico e o estilo de vida devem continuar para evitar que novas placas se formem.
Reflexão de Autoridade
A aterosclerose é uma doença silenciosa que não costuma avisar antes do evento crítico. A ciência moderna nos permite identificar e tratar essa condição décadas antes dela se tornar um infarto ou um AVC. O verdadeiro tratamento não é o stent colocado na emergência, mas a prevenção estruturada e o controle rigoroso dos fatores de risco hoje.
A sua circulação está recebendo a atenção que a sua vida depende?



